Ibama desmonta fraude em créditos florestais no MT

No início de junho, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deflagrou a Operação Metaverso, em Mato Grosso, com o objetivo de desarticular um esquema sofisticado de fraude em créditos de Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS). A operação expôs um mecanismo ilícito utilizado para legalizar madeira extraída ilegalmente da floresta, por meio de documentos oficiais de controle ambiental.

A investigação revelou que grupos criminosos vinham utilizando créditos florestais fictícios vinculados ao PMFS e ao Plano de Exploração Florestal (PEF), para justificar a origem legal de madeira obtida por meio de desmatamento ilegal. A estratégia incluía o uso fraudulento do Documento de Origem Florestal (DOF) — obrigatório em nível nacional — e do Sisflora, sistema estadual de Mato Grosso voltado ao monitoramento do transporte e comercialização de produtos florestais.

Durante a ação fiscalizatória, foram apreendidas cerca de 300 toras de madeira in natura, avaliadas em mais de R$ 500 mil, além da aplicação de R$ 15 milhões em multas administrativas. A operação resultou também no embargo de 1.500 hectares, medida que impede qualquer atividade econômica ou produtiva na área enquanto persistirem as irregularidades.

Essas sanções estão amparadas na Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), que prevê penalidades administrativas e penais para quem pratica falsificação de documentos ambientais, exploração ilegal de recursos naturais e atos que dificultem a fiscalização ambiental.

A operação reforça o papel da fiscalização federal no combate ao “lavado de madeira”, prática que compromete a credibilidade do mercado florestal brasileiro e coloca em desvantagem produtores que atuam dentro da legalidade. Além disso, evidencia os riscos jurídicos enfrentados por quem adquire madeira sem rastreabilidade e sem a devida diligência documental, podendo ser responsabilizado solidariamente por danos ambientais, conforme entendimento consolidado nos tribunais superiores.

No contexto do agronegócio, a sustentabilidade e a conformidade legal deixaram de ser apenas requisitos reputacionais: são exigências regulatórias cada vez mais cobradas em certificações, contratos com o exterior e financiamentos bancários.

A Operação Metaverso acende um alerta para todos os agentes da cadeia produtiva da madeira e para o setor agroflorestal em geral: fraudes ambientais não são apenas infrações administrativas — são crimes ambientais com graves repercussões jurídicas e econômicas.

A ação do Ibama reafirma o compromisso do Estado com o combate ao desmatamento ilegal e à lavagem de ativos florestais, preservando a integridade do sistema de manejo sustentável e a segurança jurídica dos produtores que atuam com responsabilidade ambiental.

Fonte: Ibama.

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